Calabouço – Rebelião dos Estudantes Contra a Ditadura Civil-Militar em 1968

O Núcleo dos Irredentos com a publicação do livro Calabouço – Rebelião dos Estudantes contra a Ditadura Civil-Militar em 1968, pretende levar à nova geração do movimento estudantil um exemplo de luta que marcou profundamente toda uma época, e permanece na memória de todos que viveram diretamente os acontecimentos. Com a morte de Edson Luis, dezenas de milhares de pessoas foram se incorporando ao movimento de combate à Ditadura.

O Núcleo dos Irredentos com a publicação do livro Calabouço – Rebelião dos Estudantes contra a Ditadura Civil-Militar em 1968, pretende levar à nova geração do movimento estudantil um exemplo de luta que marcou profundamente toda uma época, e permanece na memória de todos que viveram diretamente os acontecimentos. Com a morte de Edson Luis, dezenas de milhares de pessoas foram se incorporando ao movimento de combate à Ditadura.

Geraldo Jorge Sardinha foi um participante direto dessas lutas, esteve na diretoria da FUEC(Frente Única dos Estudantes do Calabouço). Foi ele que,presente na resistência,durante a programada invasão do restaurante,no entardecer daquele trágico dia, comandou um pequeno grupo de estudantes e em seus braços conduziu o corpo do Edson Luis até a Assembléia Legislativa. Escreveu este texto em 1970, assim que chegou ao Uruguay, pretendendo relatar a sua experiência e resgatar a história de luta de uma geração.

O Calabouço era um restaurante popular, criado no governo de Getúlio Vargas, para atender os estudantes carentes e se tornou uma concentração importante de oposição ao regime civil-militar instaurado em 31 de março de 1964.

Em 28 de março de 1968, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata-relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no final da tarde do mesmo dia. Por volta das 18 horas, a Polícia militar chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da Legião Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os estudantes, que fugiram.

Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito.

Temendo que a PM sumisse com o corpo, os estudantes não permitiram que ele fosse levado para o Instituto Médico Legal (IML), mas o carregaram em passeata diretamente para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. A necrópsia foi feita no próprio local pelos médicos Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos na presença do Secretário de Saúde do Estado. No período que se estendeu do velório até a missa da Igreja da Candelária, realizada em 2 de abril foram mobilizados protestos em todo o país. O Rio de Janeiro parou no dia do enterro.

Na manhã de 4 de abril foi realizada um missa na Igreja da Candelária em memória de Edson. Após o término da missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas pela cavalaria da Polícia militar com golpes de sabre. Dezenas de pessoas ficaram feridas.

Outra missa seria realizada na noite do mesmo dia. O governo militar proibiu a realização dessa missa, mas o vigário-geral do Rio de Janeiro, Dom Castro Pinto, insistiu em realizá-la. A missa foi celebrada com cerca de 600 pessoas.

Temendo que o mesmo massacre da manhã se repetisse, os padres pediram que ninguém saísse da igreja. Do lado de fora havia três fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, mais atrás estava o Corpo de Fuzileiros Navais e vários agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Num ato de coragem, os clérigos saíram na frente de mãos dadas, fazendo um “corredor” da porta da igreja até a avenida Rio Branco para que todos os que estavam na igreja pudessem sair com segurança. Apesar desse ato, a cavalaria aguardou que todos saíssem e os encurralaram nas ruas da Candelária. Novamente o saldo foi de dezenas de pessoas feridas.

A mobilização em torno da morte do estudante foi o estopim para a primeira grande manifestação pública daquele ano, que culminaria três meses depois na Marcha dos 100 mil. O evento foi um dos principais protestos contra a Ditadura Militar.

Peso0.203 kg
Páginas

80

Autor

Geraldo Jorge Sardinha

Editora

Núcleo dos Irredentos

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